10 de jan de 2008

Hora de arrumar a mala!



PARA DAR O PONTAPÉ inicial em 2008 com o direito, segue um textinho adaptado do biomédico Paulo Valzacchi, que vem bem a calhar nesse momento recheado de novas e boas e inusitadas intenções.

Bagagem de mão

Quando sua vida começa, você tem apenas uma pequenina mala de mão. À medida que os anos vão passando, a bagagem vai aumentando, pois existem muitas coisas que você recolhe pelo caminho por pensar que são muito importantes - algumas realmente são. Afinal, para que carregar uma mala se você não pode colocar nada nela?

Num certo ponto do caminho, você começa a sentir o peso insuportável da mala por carregar tantas coisas, e é nesse momento que você vai fazer sua escolha. Uma opção é ficar sentado na beira do caminho, esperando que alguém o ajude (saiba que isso vai ser difícil, pois todos os que passarem por ali já terão a sua própria bagagem).

Outra, é optar por ficar a vida inteira esperando (muitas pessoas infelizmente ficam uma vida inteira à espera de alguém que possa aliviá-la de seu peso. Geralmente essas pessoas sempre estão aguardando para que pessoas com quem se relacionam tenham o poder de fazê-las feliz, que as alivie desse peso, e ficam esperando e esperando até que seus dias se acabem. Isso é existir e não viver; há uma grande diferença entre os dois casos).

Há ainda uma terceira alternativa, que é assumir sua bagagem e aliviar o peso você mesmo, esvaziando essa mala.

Mas afinal, o que tirar?

Você começa pondo tudo para fora, para observar o que tem dentro. É sempre assim, imagine quando você arruma a sua mochila: você derrama tudo sobre a mesa, e começa a arrumar.
Então veja o que tem nela. Amor, amizade, uma porção de lembranças... caramba! Até que tem bastante, mas para algumas pessoas pode ser que tenha pouco. Tome nota, talvez isso esteja lhe faltando. Afinal de contas, amor, amizade e boas recordações são coisas muito leves.

Então, no meio da bagunça, você percebe que tem algo bem pesado. Você faz uma força danada para tirar: era a raiva. Ôloco, como ela pesa! Nesse momento, percebe que tem mais coisas junto dela, como as mágoas, ressentimentos e a tristeza - parece que todas estão entremeadas entre si, grudadas por um chicletão de rancor.

Naquele instante, o desânimo quase te puxa para dentro da mala. Afinal, à medida que vai retirando tudo isso, você volta a seus pesadelos e recordações, decepções, fracassos e frustrações. Mas hei, calma lá!

Você puxa o trambolhão para fora com toda a força, e no fundo da mala aparece um sorriso de criança, que estava sufocado lá embaixo de sua bagagem. São as melhores recordações de sua vida, daquela criança serelepe que você foi. Ele traz junto de si a inocência e a ternura daqueles tempos sem obrigações e preocupações, e pula para fora com a paz e a harmonia perdidas.

Agora mete a mão lá traveiz: você vai ter de procurar a paciência, pois vai precisar muito dela na vida. Procure também a força, a esperança, a coragem, a fé, a motivação, o equilíbrio, a responsabilidade, a disciplina, a tolerância e o bom e velho humor. Esta tudo lá, basta você olhar com atenção. Ah! Tire a preocupação também. Deixe-a de lado por enquanto. Depois você vai entender o que fazer com ela.

Bem, agora sua bagagem está pronta para ser arrumada de novo. Pense bem no que vai colocar lá dentro desta vez, hein?!





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