6 de mar de 2008

Rodrigo Ferrante e Deivson Rogério: olé!

TRABALHAR EM UMA empresa/organização/clube de prestígio é ótimo, principalmente quando o status vem acompanhado de um generoso depósito na conta ao fim do mês. A dobradinha nos dá estômago para aceitar críticas (ainda que injustas), engolir sapos e seguir de cabeça em pé, apesar dos jabs e cruzados disparados diariamente, sem clemência.

No entanto, não há nada como prestar seus serviços a um lugar que o estimula, valoriza e o aceita como você é. Dessa forma, o trabalho sai quase que naturalmente, e é desenvolvido com dedicação e envolvimento latentes, qualidades outrora tolhidas pelo ambiente hostil. Você se encaixa no novo time, os resultados começam a aparecer, e a sequência de derrotas e atuações pífias se transforma em uma série de triunfos sólidos e festejados.

Esse papo todo é para falar de Bobô e Taddei, dois jovens jogadores perseguidos pelas torcidas de seus clubes no Brasil e que tiveram competência e serenidade para dar a volta por cima em suas novas casas.



Bobô, que ficou marcado no Corinthians pela ausência de gols (minha fonte informa que foram míseros 5 gols em 62 jogos), precisou ir longe para encontrar seu faro de artilheiro. Atuando pelo Besiktas, da Turquia, o centroavante de 23 anos marcou 44 vezes em 89 jogos, desempenho que lhe rendeu o prêmio de melhor jogador da Turquia em 2007 e a polêmica convocação para a seleção de Dunga (comemorada com a comissão técnica, aí em cima).

Espantados, os corintianos parecem não entender o que acontece. "O Bobô na seleção? Só pode ser piada!" Não é - o ambiente favorável encontrado no clube turco de fato transformou o futebol de Bobô. Se seguir na ascendente, fazendo a sua, periga o atacante ganhar uma vaguinha naquele vôo que sai para a China no meio do ano.


Outro jogador que calou os torcedores de seu ex-clube é Taddei. Esculachado pela exigente torcida alvi-verde pelo excesso de faltas cometidas, pela boca de engole-mosca e pela visível deficiência em vários fundamentos, o meio-campista passou de motivo de piada das Perdizes a astro na terra dos gladiadores.

Contratado pelo Roma em 2005, após três excelentes temporadas atuando pelo Siena, Taddei virou peça fundamental no esquema do técnico Luciano Spaletti. Além de puxar os contra-ataques e finalizar muito bem, ele ajuda na marcação e joga 'para o time'. Não foram poucas as jornadas que saiu da partida como o melhor em campo, chegando inclusive a marcar gols decisivos.

O último deles (o motivo do sorriso acima), saiu nessa quarta-feira - tento que eliminou o todo-poderoso Real Madrid da Copa dos Campeões, e que deu à sua Roma a vaga nas quartas-de-final do celebrado torneio europeu. Detalhe: em pleno Santiago Bernabéu, com mais de 60 mil torcedores jogando junto com o time merengue.

Deivson Rogério da Silva, o Bobô. Rodrigo Ferrante, o Taddei. Duas provas vivas de que sempre é possível começar de novo, levantar o estádio e vestir o amarelo que todo peladeiro sempre sonhou. Desde que tenham a confiança do patrão, o apoio da platéia, e o mais importante: a força de vontade para (re)conquistá-los quando a feira é só tomates.




2 comentários:

Jo-jo disse...

Eu gostava do Taddei no Verdão... uma vez ele quase pegou um pênalti do Romário!!

Vince disse...

O Taddei deveria ser banido do futebol por feiúra!

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