13 de mar de 2008

My name is Tramp. Supertramp!


PEDI O CARIMBO da Holly para escrever algumas linhas sobre 'Na Natureza Selvagem' , obra-prima de Sean Penn, Jon Krakauer, Chris McCandless e Henry David Thoreau. O primeiro, o diretor do filme; o segundo, o autor do livro inspirado na incrível aventura que norteou a vida do terceiro; e o quarto, a grande inspiração responsável pela empreitada.

Apesar do espetáculo visual e do título 'Discovery Channel', o assunto aqui é da epiderme pra dentro. Chris, em interpretação antológica de Emile Hirsch (um híbrido de Michael J. Fox e Zac Efron), é mais um entre tantos moleques decepcionados com seus pais e a sociedade perdida em seu mar de regras.

Com uma determinação de maratonista queniano, ele se torna Alexander Supertramp, e troca a selva capitalista pelas florestas, cachoeiras e montanhas da América de cima. Deixa pra trás uma vida abastada para desfrutar daquela liberdade que carregam no peito os apaches, hippies e ciganos. Enche a mochila, queima seu dinheiro e parte em busca das respostas que a faculdade, os livros e Deus lhe negaram até então.

Por ironia do destino, todas as pessoas que Chris Supertramp encontra no caminho - a despeito de levarem uma vida sem amarras - tentam dissuadi-lo da idéia de viver só. Tanto o casal de hippies e os gringos naturebas quanto o texano 171, o velho lobo solitário e a linda garota dos olhos tristes (imagem arriba) tentam fazer Chris enxergar aquilo que ele só encontra à beira de sua morte: que a felicidade só é real quando compartilhada.

Contudo, mesmo tendo apenas 23 anos, é Chris quem acaba transmitindo algo real aos 'conselheiros'. Com plena convicção de que pode ser sua própria âncora, ele cativa tanto os personagens quanto o público que o assiste em alpha do outro lado da tela. Se boa parte da galera da poltrona já seguia a cartilha do naturalista Thoreau ('A Desobediência Civil', 'Walden'), passou a ganhar motivos extra a cada atitude altruísta do destemido rapaz, a essa altura com o rosto coberto por uma barba espessa e marcas do sol e das noites mal dormidas, visú típico dos grandes heróis libertários.

No fim das contas, após uma enxurrada de insights que penetram o inconsciente com a destreza do espermatozóide vitorioso, fica à disposição um calhamaço de mensagens (proeza que raríssimos filmes conseguem atingir), para você escolher a que melhor se encaixa em sua história. Todas elas relevantes e repletas de significado. Todas elas questionando o caminho natural de suas escolhas condicionadas. Todas elas lembrando que não importa de onde você veio, para onde vai e o que irá encontrar pelo caminho: sempre existirá um Alexander Supertramp aí dentro, para lembrar que o mundo está além do que seus olhos podem ver.



2 comentários:

Vince disse...

I'm a Supertramp!!!!!!!!

molengão disse...

Que lindo!!! Preciso libertar meu Supertramp...
=/
hehe

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