22 de mai de 2008

Manchester United, o melhor time do mundo

Jogadores correm para abraçar Van der Sar/guardian.co.uk

UMA FINAL ÉPICA, com todos ingredientes típicos de jogos dessa dimensão. Bolas na trave, defesas espetaculares dos goleiros, brigas em campo, craques amarelando na hora decisiva, uma disputa de pênaltis de arrepiar. Manchester e Chelsea fizeram uma partida à altura das suas tradições, e proporcionaram a mais de 200 países um espetáculo como há muito não se via.


De um lado, Van der Sar, Ferdinand, Cristiano Ronaldo e Rooney. Do outro, Peter Cech, Lampard, Ballack e Drogba. Com os milhões de euros injetados pelos magnatas que controlam as equipes, Manchester e Chelsea se tornaram duas seleções mundiais. Naturalizações à parte, contam com jogadores dos 5 continentes, e sua força é tanta que se dão ao luxo de terem no banco jogadores titulares de suas seleções.

Sir Alex Ferguson: 22 anos de Manchester e 18 títulos na bagagem/Reuters

Tingida de vermelho e azul, Moscou foi o palco escolhido pela Uefa para sediar a partida. Isso me fez lembrar do duelo entre Rocky Balboa e Drago, quando a bandeira do país da vodka ainda era vermelha, com os emblemáticos martelo e foice cruzados no canto esquerdo superior. É claro que a lembrança é apenas geográfica - ao contrário do duelo oriente socialista x ocidente capitalista, o embate entre os times é a prova viva do êxito ocidental, numa luta encerrada há quase duas décadas.

A partida desta quarta entra para a história talvez como a final do Copa dos Campeões mais equilibrada de todos os tempos. No primeiro tempo, só deu Manchester. Cristiano Ronaldo e Tevez infernizaram a defesa londrina com arrancadas, dribles e chutes de todas as distâncias. O gol era questão de tempo - ou de uma improvável falha do goleiro de capacete, mais uma vez em jornada inspirada. Até que o lateral Brown cruzou na medida para o craque português, que cabeceou com perfeição e tirou o primeiro zero do placar.

O gol incendiou a equipe vermelha, que partiu pra cima de vez. O Chelsea se defendeu como pôde, e numa jogada de pinball achou um gol. A bola ricocheteou duas vezes na zaga vermelha e sobrou limpa pela esquerda. Lampard invadiu a área como um foguete e só teve o trabalho de empurrar para o gol: 1x1 e intervalo de jogo.

Lampard, Drogba e a torcida comemoram o empate/Reuters

No segundo tempo, o israelense Avram Grant, sisudo técnico do Chelsea, resolveu inverter a situação. Colocou o fogoso Kalou no lugar do inoperante Malouda, adiantou a marcação e espremeu o Manchester em seu campo de defesa. Rooney e Tevez foram anulados pela zaga azul, Cristiano Ronaldo por Essien e a faca e o queijo passaram definitivamente às mãos londrinas.

Em dois ataques vertiginosos pela esquerda, Drogba e Lampard acertaram a trave de Van der Sar. A resposta veio com o veterano Giggs (que completou 759 jogos pelo Manchester, batendo o recorde do lendário Bob Charlton), em cabeçada salva na linha do gol pelo zagueirão Terry, que minutos depois voltaria ao centro do palco para protagonizar o lance mais infeliz da noite.

Terry: escorregão custou o pênalti e o título europeu/Reuters

E assim seguiu até o término dos primeiros 90 minutos, quando Tevez ainda arrumou confusão que culminou na expulsão de Drogba. Na prorrogação, os times arriscaram alguns ataques, mas nada que ameaçasse a crescente presença de uma disputa de pênaltis, anunciada desde os últimos 15 minutos do tempo normal. Antes do apito final, uma substituição para cada lado, e dois brasileiros frios em campo (Anderson e Belleti), colocados numa gelada apenas para cobrar o penal.

O craque português fez o seu, mas no penal parou no gigante Cech/guardian.com.uk

Nos minutos que antecederam a disputa de pênaltis, a tensão imperava no belo estádio Luzhniki. Apesar da reação de seu time na partida, os torcedores do Chelsea pareciam mais apreensivos. Mesmo com o frio, os cachecóis e camisas azuis estavam empapados de suor, na ansiedade da iminente conquista de seu 1º título da Champions League. Por outro lado, a torcida de vermelho parecia mais tranquila e confiante em seus jogadores, que à beira do gramado escutavam as instruções do técnico Ferguson.

Penalidades.

O confiante Tevez abriu as cobranças e, com tranquilidade, deslocou Cech e anotou 1x0.

Ballack, não tão confiante mas com bastante força, preencheu a bolinha azul: 1x1.

Carrick inverteu o canto do argentino e vibrou intensamente: 2x1 Manchester.

Belletti, o primeiro brasileiro a ser fotografado na noite, bateu seco no canto e assegurou o 2x2.

Chega a vez de Cristiano Ronaldo. Ele dá aquela respiradinha da Hortência, ergue a cabeça, corre para a bola e... pára. Indeciso, sente a imponente presença de Peter Cech, e acaba fazendo o que você viu na imagem aí de cima.

Lampard, o melhor jogador em campo, bate com perfeição e coloca o Chelsea à frente: 3x2.

Na melhor cobrança da noite, Hargreaves solta a bomba no ângulo e deixa tudo igual: 3x3.

Ashley Cole bate no cantinho, e quase dá Van der Sar. Quase: 4x3 Chelsea.

O portuga com cara de brasileiro Nani pega a bola, deixa Cech na saudade e novamente empata: 4x4.

Última cobrança da série: John Terry, um dos melhores zagueiros da história do futebol inglês e símbolo do Chelsea pega a bola, e parte para a cobrança derradeira. Estufa o peito, corre para a marca e tropeça! A bola caprichosamente beija a trave, vai para fora e o capitão fica no chão, imerso em sua tristeza particular.

Pênaltis alternados: quem perder tá na roça.


Van der Sar voa para defender cobrança de Anelka/Reuters

Anderson, 19 anos, cobra com estilo e recoloca o Manchester à frente.

Kalou, que entrou bem na partida, faz o seu e deixa 5x5.

Giggs, 35, mostra sangue frio e mete caixa: 6x5.

Anelka, que tem um histórico nada favorável em cobranças de pênaltis, pega a bola titubeante (1º sinal). Ao se dirigir à marca da cal, faz cara de choro (2º sinal). Quando Van der Sar, 1,97m, 37 anos e 4 Copas do Mundo nas costas aponta para o canto esquerdo, o francês diminui a passada (3º sinal), troca o lado e enche o pé no direito. O goleirão holandês agradece, voa como uma águia e garante a conquista da 2ª Copa dos Campeões para o Manchester United.

Bela taça, hein?/guardian.co.uk

Depois das comemorações em campo, os jogadores do Manchester ovacionam seu lendário treinador, levantam a taça mais cobiçada da Europa e escrevem mais uma linha dourada em seu invejável currículo.

Do outro lado, fica a imagem do choro de Terry e as palavras de consolo do craque Lampard, em entrevista para o jornal britânico The Guardian:

"John é o Sr. Chelsea. Ele queria esse título mais do que qualquer um no clube. Não é qualquer zagueiro que chama a responsabilidade para a última penalidade, uma cobrança de tamanha importância. Isso comprova que John é um homem, e ninguém aqui vai criticá-lo por perder o pênalti. Ele é forte e saberá dar a volta por cima".

Brown e Cristiano Ronaldo dão a volta olímpica/guardian.co.uk

E foi dessa forma que Londres perdeu mais uma chance de levar a magnífica taça dourada, o maior craque do mundo teve sua redenção, o futebol escreveu mais um capítulo em sua quase bicentenária história e a Champions League repetiu 2005 (vitória antológica do Liverpool sobre o Milan), pintando o velho continente - e a charmosa cidade mocovita - de vermelho.

E bordando mais uma estrela no peito do melhor time do planeta na atualidade.



3 comentários:

Tony disse...

LINDO MANCHESTER, LINDO!!!!!!!

BJ disse...

Cristiano Ronaldo???
pfffff...

O melhor do mundo é o Mago Valdívia!!!!!

Jo-jo disse...

N�o achei o jogo tudo essas coisa n�o, Carl... Pra mim, mais perfumaria que bola de fato.

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