16 de out de 2008

A Escolinha do Professor Maquiavel


SUPERE AS EXPECTATIVAS. Surpreenda, vá além, vença seus limites e limitações. Na festa à fantasia da auto-ajuda multi-travestida em que vivemos, mensagens de trangressão e superação transbordam pela boca de todos os personagens. Você precisa enfrentar seus fantasmas e romper barreiras para ser, crescer, aparecer e encostar a cabeça no travesseiro sem se sentir o mosquito do cocô do cavalo do bandido.

Até aí, ok. Não só estou de acordo com as batalhas da auto-estima como apóio a leitura de boa parte dessas literaturas - afinal de contas, não se vence o monstro sem olhar debaixo da cama. Acontece que, nessa de superar os limites, muita gente, em nome de seus objetivos e fins, acaba deflorando a privacidade do outro.

Na semana passada, 3 exemplos chamaram a minha atenção - e talvez a sua, pois foram oportunamente explorados pela imprensa.

Na terra de Rocky Balboa, a pugilista-pit bull Sarah Palin, vice do republicano John McCainn, se aventurou a falar das particularidades de Barack Obama. Ácida e contida como um orc, deixou a política e a diplomacia de lado e usou toda sua desenvoltura para atacar o jeito de ser e as origens do oponente democrata. McCainn foi na onda e declarou, na véspera do debate na tevê, que iria chicotear o adversário no programa. Bonito, não?

Ao invés de ir na contramão do péssimo exemplo americano, Marta Suplicy e a equipe do Partido dos Trabalhadores paulista usou da mesma tática sórdida para encostar o adversário Gilberto Kassab nas cordas.

"Você sabe quem é Kassab?"
"Sabe com quem ele anda?"
"Sabe se ele é casado, se tem filhos?"

A estratégia foi tão infeliz que a petista se viu na saia-justa de ter de se justificar para a imprensa e o público GLS que até então a apoiava entusiasticamante, e poucos dias depois a campanha se viu obrigada a mudar de foco.

E foi justamente uma das passeatas de Marta e seu staff o palco da terceira 'transposição de barreiras'. A equipe do CQC, um Pânico com QI turbinado que bota na mesma panela jornalismo, humor e entretenimento, tentou entrevistar a candidata. O repórter enviado, trajado do habitual terno preto, óculos escuros e com um manequim no colo, tentava tirar uma casquinha da petista - dias antes, Marta cordialmente estendeu a mão para cumprimentar um manequim na porta de uma loja.

Os seguranças interpelaram o repórter de forma violenta e agressiva, e não o deixaram se aproximar de seu objeto de desejo. Revoltado com a falta de profissionalismo da equipe petista, o rapaz mostrou todo seu bom senso e gentilmente jogou seu microfone na cara do fotógrafo que acompanhava a procissão. Justo, né?

Não é fácil sair do lugar comum, inovar e ir além. A inércia quase sempre fala mais alto, e toda mudança assusta os marinheiros de primeira, segunda, terceira e centésima viagem. Mas se o preço para superar os limites for utilizar o método Custe o Que Custar, estaremos jogando no lixo décadas de progressos sociais e intelectuais para voltar à empoeirada cartilha de Maquiavel.

Enquanto isso, nos porões da indústria da auto-ajuda, os druidas da virtude esfregam as mãos e preparam, no capricho, sua mais nova fornada de bengalas.





3 comentários:

Tony disse...

Qual dos CQC se envolveu na treta???

BJ disse...

Blaaaaaaaaaa vc só defende o Obama!

Tanato disse...

E tem como defender McCainn????

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