1 de jun de 2009

Ao persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado


O QUE TE FAZ CHORAR?

Injustiças da humanidade, ódio reprimido, raiva de si mesma? Um gesto bonito, uma cena de benevolência inusitada, o gol do seu time aos 45' do segundo tempo? Um certo telefonema, uma carta escrita a mão, aquela trilha sonora desgraçada que faz a lágrima brotar do estômago e dar uma cambalhota na garganta antes de escapulir e escorrer em linha reta até salgar seus lábios?

Bem, no meu caso - exceção feita ao futebol, que não me afeta nem em Copa do Mundo - todas as anteriores. Não sei se meus hormônios andam desalinhados com a conjugação astral, se ando lendo muita poesia ou se a onda emo enfim resolveu bater à minha porta: fato é que ando chorando até quando escuto Balão Mágico.

O que muito me admira, já que sempre fui a insensível da turma, a coração gelado incapaz de verter uma lágrima até nos momentos que pedem por olhos vermelhos e emoção à flor da pele, como despedidas, desencontros e fim de namoro. Ele ali, invocando Deus e os anjos para mostrar que merecia mais uma chance e eu, sentada no trono completamente impassível, já pensando no que vai ter pra jantar.

Mas, como dizem por aí - muito mais no automático que qualquer preocupação genuína - tudo é relativo, o mundo dá voltas e as coisas mudam, para o bem ou para o mal. Pombas, se até o Lula mudou, por que Maria Victoria Marley não poderia mudar?

Sim, eu mudei. Menos pelo humor dos astros, e mais por deixar os acontecimentos do mundo fazerem parte e sentido em minha vida. E tudo assim: no intervalo de um ano. E tudo assim: sem prazos nem compromisso. E tudo assim: acompanhado de lágrimas, numa sequência de clichês que jurava ser incapaz de desencadear.

Mudei ao ver a esperança no planeta renascer com a eleição do negão. Mudei ao ver 'Slumdog Milionaire' inverter a lógica do cinema e colocar a Índia em seu devido lugar. Mudei ao ler 'A Cabana' e parar de culpar Deus, entrementes, por tudo que me acontece de ruim. Mudei ao ouvir um sopro angelical sair da boca de um satanás como Susan Boyle, como se aquele momento já tivesse sido planejado por alguém para todos verem que sonhar não tem cor, peso nem barreiras psicológicas para tapar o calor do sol.

Mas mudei também porque se assim não fosse, eu seria eternamente uma coadjuvante daquilo que poderia ter sido. Não há no mundo sensação pior que a do 'é, podia ser eu ali'.

É claro que toda mudança é um processo, e não um fim. Assim como acontece no amor, na amizade e em todas as relações baseadas em sentimentos positivos, ela precisa ser cultivada diariamente com motivação e coragem que vão além de qualquer entendimento. Tipo o Rocky Balboa acordando às 4 da manhã, comendo ovo cru e saindo pra correr de moletonzão na neve, saca?

Olha, peço desculpas pelo tom professoral e pelo climão de auto-ajuda desse post. É que eu precisava desabafar com alguém que, apesar de achar tudo isso meio confuso e sem nexo, soubesse o quanto é difícil jogar as tralhas fora, trocar o corte de cabelo ou o jeito de se vestir. Se é que você me entende.





6 comentários:

Vince disse...

Tambem quero viajar nesse balãããããoooooo...........!

=D

Jo-jo disse...

Vi, cê precisa parar de ouvir sertanejo meu..

mari disse...

E viva a TPM da Vickye!!!!!

Que Nem Chiclete disse...

"mudei também porque se assim não fosse, eu seria eternamente uma coadjuvante daquilo que poderia ter sido" [2]

u learn!

Odára Raquel Kunkler disse...

Adorei o post! Comigo tb acontece esses saltos de humor e esperanças na humanidade... E tb estar sempre tentando melhorar... Essa foto é muito linda!!! É de quem? Parabéns pelo blog! Mto criativo, diversificado e interessante!

Vickye disse...

Odára,

Obrigada!!! Fico feliz que tenha gente que compactue dessa 'TPM' diária... A foto é de um banco de imagens mesmo, mas me lembrou muito 'O Caçador de Pipas', meu livro predileto.

Grande beijo!

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