17 de fev de 2010

Amanhã tudo volta ao normal


ANALISANDO FRIAMENTE, um cara como eu não tem muitos motivos para gostar do Carnaval. Nunca fui muito afeito a multidões suando em bicas e trocas de saliva frenéticas, como se beijar na boca fosse uma espécie de refil para continuar pulando e curtindo o som. Aliás, o que aconteceu com as marchinhas carnavalescas? De onde eu tava só se ouvia uma música pegajosa cujo refrão era algo como:

"bota a mão na cabeça que vai começar
o rebolation-tion o rebolation,
o rebolation-tion, rebolation" (x400) 

Não é um mimo?

Mazó, não estou aqui para descer a lenha no carnaval não. Muito pelo contrário: apesar de repetitivo, cafona e superficial, eu até que gosto dele. Primeiro que, porra, são 5 dias de perna pro ar (o que já seria mais que suficiente). Depois, absolutamente nada no Brasil acontece de relevante antes dele. Se não fossem as (tristes) tragédias das enchentes, os preparativos das escolas de samba, as presepadas do Hugo Chavez e o Big Brother, os jornais e sites teriam que noticiar subcelebridades tomando picolé e andando de pedalinho. Ou seja: são praticamente 50 dias de férias coletivas do Oiapóque ao Chuí, alternando a 1a e a 2a marcha ao sabor do humor do patrão.

Além disso, o carnaval tem um lance peculiar que não acontece em nenhuma outra data. A distribuição de camisinhas grátis  alegria que toma conta das pessoas é contagiante, e o mais legal de tudo: legítima. Crianças fantasiadas jogando espuma nazoreia dos outros, tiazonas de bigodinho suado dançando com os dedinhos pra cima, um colorido de abadás e perucas e confetes e serpentinas, e dááááá-lhe rebolation!

No fim das contas, carnaval é como Sertanejo, Big Brother e Harry Potter: a gente acha besta e não gosta de admitir, mas acaba cantando o refrão, dando uma espiadinha e virando criança outra vez.




6 comentários:

MJ disse...

Em Piripirí teve marchinha, pô!!!!!

Olha a cabelera do Zezééééé...

=D

Vince disse...

Véio, aqui tb só tocou essa porra de rebolation. A música é um pé, mas a dancinha, hem???

BJ disse...

50 dias de férias coletivas, Jo-jo? Só se for pra você, seu vagaaaallll!

Tb não sou muito fã de carnaval, mas seus argumentos acabaram me convencendo. Ô feriadinho bão!!

Kookie disse...

Embora carioca, eu também não sou muito carnavalesca; e acho q em função de toda a produção organizada e lucrativa q a festa se transformou, (escolas de samba, trios elétricos), a sua descontração original se perdeu.

Mas adoro seus textos, seja sobre o assunto que for!

Minha avó (que já faleceu), sempre me contava passagens sobre o Carnaval de rua das décadas de vinte e trinta, e dava muita ênfase ao lança-perfume, que, segundo ela, nunca podia faltar. As pessoas desfilavam em carros com a capota abaixada, pelas avenidas lotadas em Copacabana, mascaradas e fantasiadas, um luxo!

Dizia que os "rapazes" jogavam lança no decote das "moças" quando queriam cortejá-las, e ela adorava esse ritual todo, falava que ficava tonta, e a cidade ficava toda perfumada, "era uma sensação tão gostosa..."

Era bem louca a véia, hein??? Isso explica muita coisa... Hahahaaa!!!

Beijos!

Nathália Rodrigues disse...

siiim rezão, no carnaval tuuudo volta! por isso amo tanto e canto marchinhas a valer!! =)

Tio Roberto disse...

De pleno acordo, mas essa merda de Rebolation é bosta criada por certos baianos babacas para aparecer na Globo.

Acho que você deveria pôr a sacola nas costas e ir ao Carnaval no Recife e em Olinda, no próximo ano.

Tenho certeza de que mudará de opinião, sobre o que é Carnaval, depois do Galo da Madrugada, no sábado, dos frevos e maracatus, das bandinhas nas praças olindenses, queijo de coalho com cerveja na Sé de Olinda, das
bandinhas de metais em tudo quanto é lugar e outras mumunhas (pô, essa é dose, hein?)
que por lá se espalham.

Abraço pernambucano do Rio Toberto!!!

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