15 de dez. de 2007

A volta dos três gigantes

DEPOIS DE PASSAR os últimos anos entre o inferno e o purgatório, reféns dos interesses de cartolas déspotas e de empresários oportunistas, três grandes clubes brasileiros parecem enfim ter emergido da lama e acordado para a bola. Flamengo, Fluminense e Palmeiras mudaram de cara, enfrentaram uma verdadeira lavagem intestinal e, pelas últimas notícias ventiladas pela imprensa, devem travar com São Paulo, Santos e Inter uma interessante batalha pelo topo do futebol brasileiro.



Ibson: o símbolo da arrancada rubro-negra


O Flamengo, que deu neste Brasileirão a mais emocionante arrancada de um time desde o Santos de Diego e Robinho em 2002, renovou com Joel Santana e está montando uma equipe altamente competitiva para a disputa da Libertadores da América. O goleirão Bruno, de contrato novo, ficará na Gávea por mais algumas boas temporadas. Rodrigo, beque disputado por várias equipes brasileiras, deve chegar para formar dupla de zaga de respeito com Fábio Luciano. Os laterais Léo Moura e Juan foram irrepreensíveis no campeonato, assim como Renato Augusto e Ibson. O pentacampeão Kléberson, regularizado e em forma, já treina com o colete de titular. Com mais um avante de ponta, para formar o ataque ao lado do matador Souza, o Mengão ficará completo para voltar a sonhar com títulos importantes em 2008.


Washington: grande chance de formar ataque dos sonhos com Leandro Amaral e Dodô


A diretoria do Flu parece não medir esforços para reforçar o time que disputará o torneio sul-americano e exorcizar de uma vez por todas a galinha preta que visitou as Laranjeiras no início do XXI. Depois de tirar Dodô do Botafogo e repatriar o volante Fabinho e o matador Washington Coração de Leão, o time do técnico Renato Gaúcho está fazendo de tudo para trazer o habilidoso meia argentino Darío Conca, ex-Vasco, e aguarda pendência jurídica para apresentar o Anjo da Fiel Felipe e o atacante Leandro Amaral, os melhores de suas posições no campeonato. Os meias Jadson e Jônatas e o lateral-esquerdo Léo são outros nomes na pauta do diretor Branco, e podem pintar no time a qualquer momento. Lembrando que o Tricolor Carioca conta ainda com o talentoso meia Thiago Neves, titular absoluto de qualquer seleção do Brasileirão.



Luxa: de volta, quem diria, nos braços da torcida


Fechando a trinca das fênix da bola, vem o Palmeiras. Esfolado pela dinastia do sultão Mustaphá Contursi, que sugou o clube até deixá-lo no abismo da Segundona, o time do Parque Antártica dá sinais de que fará de 2008 o ano do retorno ao futebol de garra, classe e competitividade que o consagrou como o maior campeão do último século. Assinou contrato de R$250 milhões para transformar o velho Palestra Itália na moderna e requintada Arena Palestra - que servirá inclusive para abrigar a Azurra na Copa de 2016. Firmou parceria com J. Hawilla, palmeirense verde e dono da poderosa Traffic, para injetar outros milhões na contratação de reforços. E, o chantily do mousse de limão verde: está prestes a confirmar a vinda de ninguém menos que Vanderlei Luxemburgo, o mais vitorioso técnico do país, para comandar a equipe.

Com Luxa no banco, São Marcos recuperado debaixo das traves, o raçudo Pierre na retaguarda e o mago Valdívia na criação das jogadas, o torcedor alvi-verde que ainda não completou uma década de vida poderá enfim se entusiasmar para soltar o grito que seus amiguinhos são-paulinos, corintianos e santistas cansaram de dar nos últimos anos: É CAMPEÃO!

É claro que tem também a reformulação no Timão e a minha Lusinha, que puxou o fado e deixou as padarias do país em festa, mas isso já é assunto para um próximo post.

Saudações da Terrinha,

13 de dez. de 2007

The flame still burns?



SUBIR AO PALCO e ser alpaudido e ovacionado pelo público não tem preço. Retornar ao mesmo palco depois de um hiato de mais de 20 anos e ver que os fãs ainda cantam suas músicas a plenos pulmões, então, é motivo de êxtase total, alegria e lágrimas incontidas, seguidas daquela sensação de missão cumprida. 'Agora sim, pode me levar. Vou e vou feliz!'


O filme Still Crazy (traduzido por aqui como 'Ainda muito loucos'), de 1998, discorre sobre o tema retorno de forma sutil e contundente. A banda Strange Fruits, depois de um longo tempo longe da mídia e dos palcos, resolve se reunir para uma última turnê, a fim de levantar um cascalho para os integrantes, todos mal-sucedidos longe da música.

Fora de forma e sem aquela sintonia que os consagrara, o quinteto pena para tentar voltar a ser a banda que rachava o palco no meio nos anos 70. Após algumas tentativas frustradas, consegue promover um mega-show, vê o retorno de seu genial e depravado guitarrista aos 45' do segundo tempo e toca seu hit de maior sucesso, The flame still burns*, com uma paixão e intensidade digna dos melhores momentos do Kiss, levando o público - e os telespectadores - a um momento sublime e único.



O Strange Fruits cai na estrada para sua última turnê

Corta para dezembro de 2007. Maracanã lotado e ansioso por ver o retorno de um dos maiores fenômenos da história do rock. Mais de 80 mil pessoas se aglomeram para ver a volta de Sting, Andy Summers e Stewart Copeland, que desde os anos 80 não contemplavam a platéia com os inconfundíveis acordes melódicos e swingados do The Police. Depois de 20 anos afastado dos palcos, o trio inglês mostrou estar em plena forma, e fez uma performance que encheu de orgulho todos os fãs - tanto os que pagaram até R$500,00 para ver ao vivo quanto os que se deram por satisfeitos com os melhores momentos reprisados pela tevê. Sucesso!


Depois de 25 anos, Sting e o The Police voltam ao Maracanã/Márcio Nunes - Photo Rio News


Assim como o The Police, outros fenômenos da música escolheram 2007 para retornar. Uns com êxito, como os jurássicos Van Halen e Led Zeppelin. Desconhecido 'fisicamente' para fãs com menos de 30 anos, o Led enfim resolveu dar o ar empoeirado da graça. Para o delírio de 18 mil espectadores - e incredulidade de outros milhares, que enterraram a banda com os tempos que a consagraram -, Jimmy Page, Robert Plant e cia. voltaram a todo vapor em show realizado no último dia 10, em Londres, mostrando que a chama de sua música ainda queima. E como queima! Para quem cresceu idolatrando a lenda e aprendeu a tocar violão dedilhando os acordes de Stairway to Heaven, o retorno é um presente de natal pra Noel nenhum botar defeito.



Jones, Plant e Page em ação em Londres/Getty Images



Outros grupos, no entanto, parecem não perceber que a chama apagou. Assim como fazem as crianças, depois dos parabéns, insistem em fazer a conchinha com as mãos para reacender as velinhas, que já não têm mais força para brilhar. É o caso dos Backstreet Boys e das Spice Girls. Depois de baterem cabeça nas tentativas de carreira solo, seus integrantes voltaram a se reunir neste ano, na esperança de terem seu momento Strange Fruits. Ledo engano.

A boy band, que vendeu mais de 75 milhões de discos na virada do último século, viu seu novo álbum estacionar em míseras 90 mil cópias. A julgar pelo visual inalterado e pelas canções, que repetem a mesma fórmula vencida dos bons momentos, o agora quarteto (o esperto Kevin pegou seu chapéu) parece mergulhado na síndrome de Austin Powers. Não buscou novos ritmos e companhias, como fez Justin (ex-N'SYNC); tampouco progrediu e bebeu de novas fontes, a exemplo de Beyoncé (ex-Destiny Child). Brian, Nick, Howie e AJ pararam no tempo.


Geri, Mels, Emma e Victoria, em Vancouver/Lyle Stafford - Reuters


Já as Spice... Bem, as Spice continuam produzidas, perfumadas, metalizadas e prontas para outra. Depois de gastarem os tubos em produções solo e de virarem grife, bonecas e marca de perfume, voltam à formação original para mais uma rodada de performances apimentadas, piscadelas calculadas, coreografias estilizadas, shows pirotécnicos e clipes cibernéticos.

Meu palpite?

RÁ... TIM... BUM!


* A pedidos, o vídeo com os Fruits mandando 'The flame still burns':




10 de dez. de 2007

Hugo Chaves e Quico Morales


JO-JO COSTUMA DIZER que Hugo Chávez e Evo Morales lembram demais Mussum e Zacarias, tanto pela aparência quanto pelas trapalhadas. Até concordo com a comparação, mas prefiro parear os presidentes mais populares da América Latina com uma outra dupla de canastrões. Quem tem mais que um bom whisky de idade certamente se lembra, com um certo sorriso disfarçado, da dupla que conquistou toda uma geração na curva dos 80's para os 90's. Com seu humor inocente, bordões repetidos à exaustão e piadinhas pra lá de manjadas, Chaves e Quico se tornaram vedetes da emissora de Sílvio Santos e referência de humor na TV.

No entanto, o fator que mais aproxima os políticos dos personagens é o de Chaves e Quico, que têm pouco mais de oito anos, serem interpretados por atores de mais de 40. O venezuelano e o boliviano, com suas bravatas desnecessárias e atitudes pueris, poderiam perfeitamente trocar de chapéu e se juntar a Seu Madruga, Chiquinha, Bruxa do 71 e cia.

Morales é o parceiro que Chávez pediu a Deus. Desde que assumiu o governo boliviano em 2006, o cocalero mostrou de que lado estava, dando uma banana para os americanos que queriam substituir o cultivo de coca pelas bananas brasileiras. Líder do movimento socialista da Bolívia, tornou-se escudeiro de Chávez na luta do eixo do bem (La Paz, Caracas e Havana) contra a turma do mal (encabeçada pelos EUA), e fez do abundante gás natural boliviano sua arma para chantagear não-alinhados, como já ocorreu com o Brasil e com Lula, que viu refinarias da Petrobrás na Bolívia serem tomadas pelo exército local e ficou falando sozinho mais de uma vez. Algo como o filho de Dona Florinda faz quando ganha uma bola novinha e não deixa ninguém chegar perto de seu brinquedo.

Já Chávez, que além de tudo é xará do menino do barril, deita e rola sobre os barris de petróleo venezuelanos. Bastou chegar ao poder para... Zás! Zás! Intitular-se o Chapolim da América do Sul, fazer de tudo para ser igual à ilha de Fidel - do controle da programação e conteúdo dos veículos de comunicação às sucessivas reeleições e plebiscitos que visam legitimar sua perpetuação no poder -, reprimir qualquer tipo de manifestação contrária às suas ordens, suspender os direitos individuais, montar uma reserva civil armada de 200 mil homens que seguem a ideologia bolivariana. Populista e agressivo, divide o mundo em dois: os que o apóiam irrestritamente e os traidores, covardes e mesquinhos, que são contra seus ideais de independência e expansão.

Isso, isso, isso! Se o mundo não acordar a tempo, Chávez e Morales vão pouco a pouco fazer no século XXI o que Chaves e Quico fizeram no XX: passar de toscos a cultuados, virar estampa de camiseta, criar uma legião de seguidores fiéis e bater a audiência dos canais dominantes. E olha que nem vão precisar dos churros e do suco de tamarindo.




Profissão Cartoon - II

DEPOIS DE ESTREAR o Profissão Cartoon com o niquelado e nauseado Fernando Gonsales, abro espaço para um cara que, pela formação e bagagem adquirida ao longo da estrada, poderia fazer o estilo rebuscado e enigmático da cozinha francesa e de seu sobrenome. Mas não - optou por deixar o escargot nas conchas e assumir o posto de marido, amante, amigo e confidente da Eva. Chega mais, Adão!


Adão (dir.) com Hélio de La Peña, do Casseta

ADÃO ITURRUSGARAI

Adão nasceu nos pampas, na cidade de Cachoeira do Sul. Já aos 17, teve seu primeiro desenho publicado, no jornal da cidade. Quando completou a maior idade, entrou no curso de Publicidade e Propaganda e se aventurou nas Artes Plásticas. Ainda adolescente, passou uma temporada na França, onde trabalhou em duas revistas. Quando voltou para cá, mudou-se para a Terra da Garoa, período no qual foi redator do Casseta & Planeta e da TV Colosso.

Seu estilo é justamente o oposto de seu sobrenome trava-língua: contido e bem-humorado, lembra bastante o de Angeli, e encontra muitos fãs junto ao público jovem e GLS, que se acostumaram com as geniais tirinhas dos cowboys cor-de-rosa Rocky e Hudson e da ninfomaníaca serelepe Aline, que em 2005 virou inclusive desenho animado do Cartoon Network. As anedotas existenciais do La vie em rose e a bombada Família Bíceps completam o quarteto de ‘tirinhas pop’ do cartunista.

Hoje, aos 42 anos, Adão reside na Cidade Maravilhosa com uma penca de gatos, de onde manda suas tiras diárias para os jornais Folha de S.Paulo, O Vale Paraibano e O Liberal.




Família Bíceps



La vie en rose



Adão e Angeli




9 de dez. de 2007

Imagens da semana


IMAGINE VOCÊ se todas as cantadas funcionassem, se todas as promessas fossem cumpridas, se todas as notas fossem 10, se todos os gols fossem de cabeça, se todos os peidos fossem cheirosos, se todas as mulheres fossem loiras peitudas, se todos os bolos fossem de fubá, se em todas as mãos viesse um zap... A vida não seria uma chatice?



É por essas e outras que alguns seres iluminados vêm ao mundo. Para quebrar o ritmo frenético dos alucinados, o marasmo dos partidários da nhaca e acabar com essa sensação incômoda de que pastel é pastel, seja qual for a feira que você frequente.

Uma reunião extraordinária de papais-noéis convocada pelo governo polonês; a nova rede de restaurantes de Taiwan, onde os assentos são vasos sanitários, os guardanapos são papéis higiênicos e os pratos e travessas são pias e privadas; o emocionante duelo de polo sobre elefantes no sul do Nepal - o que vale pra essa trupe é virar o chalé de ponta-cabeça e fazer valer o ingresso do espetáculo.




Até os macacos, chegados numa algazarra, embarcaram nessa: no último sábado, orangotangos-marinhos holandeses se revoltaram com a demora para a remessa de bananas entregue pelas entidades protetoras da espécie ficar al dente. Após cinco dias de espera, numa atitude que demonstra total falta de ética e polidez, os primatas atiraram ao mar os alimentos, que tomaram conta das praias dos Países Baixos.




(continua...)


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