6 de ago. de 2008

Se é que você me entende

ALGUÉM PODE me dizer como raios as pessoas conseguem...

Passar o dia na frente de um computador?

Discutir futebol por horas e horas (e horas) a fio?

Colocar mais de 500 fotos num álbum de orkut (e legendar todas elas)?

Ainda ter intenção de votar no Maluf?

Pagar OUTRAS pessoas para passear com SEU cachorro?

Dar risada com 'A Praça é Nossa' e o 'Zorra Total'?

Dar tanta atenção à coitada da Amy Winehouse?

Pagar pau pro Jô Soares?

Idolatrar Wanessa Camargo, Claudinha Leitte e Ivete Sangalo?

Ouvir música eletrônica no trabalho?

Perder a linha, o contato com a torre e o senso do ridículo por causa do rabo de uma das mulheres-fruta?

Comer qualquer coisa à base de soja?

Gostar de rúcula, melão e pepino?

Exaltar poetas e filósofos sem ter lido um poeminha sequer?

Passar pela vida sem pedir nada em troca?

Vibrar com esses especiais bocejantes de Bossa Nova?

Se empolgar com as Olimpíadas?


BLÁ.





3 de ago. de 2008

Profissão Perigo: Bandeirinha de futebol


ANA PAULA DE OLIVEIRA à parte, bandeirinha de futebol é uma profissão indigesta. Quando acerta, não faz mais que a obrigação. Agora quando erra... É peitada, barrigada, dedo no nariz, bafo na cara e 30 mil desocupados homenageando a mãe do infeliz, que certamente o aconselhou a não seguir na profissão.

Como se não bastassem as reclamações (inclusive quando está certo), o uniforme bisonho e os copinhos de água que tacam-lhe impiedosamente na cabeça, os bandeiras ainda têm que agüentar o bendito do tira-teima da tevê, seguido do comentário do ex-juiz maldoso:

"O bandeira errou. O atacante estava 27 centímetros à frente do zagueiro, portanto impedimento."

Ah, vá! Se num campo de 105 metros de comprimento é difícil quantificar 1 metro, que dirá 27 centímetros - uma régua, meio anão ou uma piromba das mais generosas. E dá-lhe técnico, jogador e torcida lançando olhares de reprovação recheados de pensamentos psicopatas.

Para melhorar a situação desse funesto profissional, a FIFA resolveu mudar seu título. Agora o cidadão que corre em cima de uma linha e tem sobre seus ombros a responsabilidade de decidir o futuro do prélio não é mais conhecido como 'bandeirinha'. É ASSISTENTE. Número 1 e número 2. Seja lá o nome que tiver, assumir publicamente o ofício é mais difícil que sair do armário. Ô vergonha!

- E aí, você trabalha com o quê?
- Eu sou assistente.
- Assistente de vendas, de escritório?
- Não, de juiz de futebol mesmo.
- Aaaaah, você é bandeirinha?

O pior é quando o juizão, esperto, deixa o lance para o bandeira decidir. Jogada rápida, bola na área e o atacante, mais livre que político corrupto, empurra pro gol e vai pra galera. O time adversário inteiro levanta a mão, o técnico avança como um gorila enjaulado, a torcida arregala os olhos esbugalhados e a câmera de tevê encurrala o coitado no close.

Por uma fração de segundo, todo o espetáculo se resume ao gesto do bandeira, que terá de decidir, numa subfração disso, de qual lado vai levar carcada. Nessa hora, o cu esfincter do sujeito se contrai de uma forma que asfixia 3 gerações de peidos vindouros.

Ora, se ele dá o impedimento, metade do estádio vem abaixo, e a comemoração do artilheiro vira uma série de impropérios que até Deus duvida. Se deixa rolar, tome bafejo do outro lado, juras de amor e acusações de que está comprado, mal intencionado e lá vai a mãe sendo rebaixada à mais ilustre profissão do planeta.

É, meu filho. Se você pensava que ser juiz era coisa de masóca, ser bandeirinha traz muito mais calafrios e emoções. Para empunhar a bandeira é preciso coragem, empáfia e uma serenidade de fazer inveja aos mais remotos mosteiros tibetanos. Além, é claro, de uma boa dose de vaselina.


Diz aí, Ana Paula!



* Para conhecer outras Profissões Perigo, clique aqui.











Ops! Foi mal...
É aqui eeeeeeeeee... aqui!



Um cheiro,



2 de ago. de 2008

Quem late mais alto

APÓS 17 RODADAS jogadas, 7 times despontam como fortes candidatos ao caneco do Brasileirão 2008. A novidade fica por conta da pulverização dos favoritos, que enfim saem do eixo Rio-SP.

2 paulistas, 2 gaúchos, 1 carioca, 1 mineiro e 1 baiano correm por dentro na disputa. A seguir, uma pincelada em cada um dos Rotweillers:


GRÊMIO

Celso Roth: de burro a gênio/www.globoesporte.com


Perdeu: Roger e Rodrigo Mendes (petrodólares do Qatar)
Trouxe: Souza (meia - Paris Saint Germain)
Ponto forte: a força e a união do conjunto
Ponto fraco: pouca criatividade no meio-campo
Destaque: Perea, centroavante

Arma secreta: Ânderson Pico, lateral esquerdo.
Mesmo tendo apenas 20 anos, Pico é um lateral de personalidade, que apóia com eficiência sem descuidar da marcação. Tem um chute calibrado e potencial para vestir a amarelinha.


CRUZEIRO

Guilherme comemora mais um/www.globoesporte.com

Perdeu: Marcinho (Kashima Reysol - Japão) e Marcelo Moreno (Shakhtar Donetsk - Ucrânia)
Cedeu: Ramires (seleção olímpica)
Trouxe: Gérson Magrão (atacante - Ipatinga) e Wanderley (atacante - Ponte Preta)
Ponto forte: a eficiência do ataque
Ponto fraco: falta de boas opções no banco de reservas
Destaque: Guilherme, centroavante

Arma secreta: Jadílson, lateral esquerdo
Arisco e veloz, recuperou seu bom futebol dos tempos de Goiás. Cruza bem, tabela e é sempre ótima opção ofensiva pela esquerda.


VITÓRIA

Marquinhos: a revelação do campeonato/www.globoesporte.com


Perdeu: -
Trouxe: Viáfara (goleiro - Atlético PR) e Dinei (atacante - Guaratinguetá)
Ponto forte: o conjunto, a humildade e o ótimo toque de bola
Ponto fraco: falta de ímpeto quando atua fora de casa
Destaque: Marquinhos, meia-atacante

Arma secreta: Ramon, volante
Ramon sempre foi um meia habilidoso e com um chute poderoso. Deslocado para 2º volante por Vágner Mancini, dá qualidade à saída de bola do time e aparece bem no ataque como elemento surpresa.


FLAMENGO

Ibson vai pro abraço/www.globoesporte.com

Perdeu: Renato Augusto (Bayer Leverkusen), Souza (Parathinaikos) e Marcinho (petrodólares do Qatar)
Trouxe: Vandinho (atacante - Avaí) e Eltinho (lateral esquerdo - Paraná)
Ponto forte: as jogadas pelas laterais
Ponto fraco: a inoperância do desfalcado ataque
Destaque: Ibson, volante

Arma secreta: Léo Moura e Juan, laterais
Além de terem extrema vocação ofensiva, a dupla de laterais rubro-negros se destaca pela regularidade. São eles os responsáveis por mais de 50% das assistências do time, que sem eles em campo vê seu rendimento despencar.


PALMEIRAS

Leandro: com Luxa, o lateral voa em campo /www.globoesporte.com

Perdeu: Diego Cavalieri (Liverpool), Henrique (Barcelona)
Trouxe: Jéci (zagueiro - Coritiba), Gladstone (zagueiro, Sporting - Portugal), Evandro (meia - Goiás) e Maicosuel (meia - Cruzeiro)
Ponto forte: as atuações memoráveis no Palestra Itália
Ponto fraco: as atuações pífias fora de casa e a vaidade dos jogadores
Destaque: Alex Mineiro, centroavante

Arma secreta: Leandro, lateral esquerdo
Nem parece o jogador apático da temporada passada. Jogador rápido e inteligente, costuma ser o termômetro do alvi-verde paulista.


SÃO PAULO

Dagoberto: enfim, o atacante que a torcida esperava/www.globoesporte.com

Perdeu: -
Cedeu: Hernanes (seleção olímpica)
Trouxe: Rodrigo (zagueiro - Dínamo de Kiev), Ânderson (zagueiro - Lyon) e André Lima (atacante - Hertha Berlin)
Ponto forte: a força do elenco
Ponto fraco: falta de ímpeto quando atua fora de casa
Destaque: Hernanes, volante

Arma secreta: Hugo, meia
Marca a saída de bola adversária, tabela com os atacantes, bate de fora da área como poucos. Para a alegria da torcida tricolor, Hugo volta a ser o Hugo que arrebentou no Grêmio há 3 temporadas.


INTERNACIONAL

D'Alessandro é apresentado: R$10 milhões/www.globoesporte.com

Perdeu: -
Trouxe: D'Alessandro (San Lorenzo - Argentina) e Daniel Carvalho (CSKA - Rússia)
Ponto forte: a consistência da defesa
Ponto fraco: o meio-campo, muito dependente de Alex
Destaque: Nilmar, atacante

Arma secreta: Guiñazu, volante
Motor do time e ídolo da torcida, o uruguaio se destaca pela disposição e entrega em campo. Incansável, é grande ladrão de bolas e responsável direto pelo excelente desempenho da defesa colorada.

A sorte está lançada!
Resta saber, depois da janela de transferências européia, quem vai roer o osso.




Vale a pena ler de novo: Organizando o crime



Excedente de caixa
(Ruy Castro - Folha de S.Paulo)


HÁ POUCO TEMPO, alguém mais mais esperto dentro do crime organizado olhou em volta e descobriu que, se quisesse de fato fazer jus ao nome, o crime deveria tomar providências e deixar de ser um bando de pés-de-chinelo que só se sustentava pela omissão e incompetência do poder público.

Uma constatação foi a de que, mesmo com os pesados investimentos em armas e manutenção, o crime tem sempre excedente de caixa, por não precisar gastar dinheiro com itens que flagelam outros setores. Por exemplo, a frase de Benjamin Franklin de que só há duas coisas inevitáveis: morte e impostos. No crime, só a morte é inevitável.

Pelo mesmo motivo, o gasto do crime com encargos sociais é zero: seus funcionários não têm carteira assinada, nem descontam para o instituto, porque a maioria morre antes da aposentadoria. O crime também não tem despesas de escritório, tipo clipes, selos e papel timbrado, nem com aluguel, porque suas instalações no morro são, digamos, cedidas pela população. E gatilhos (nos dois sentidos) lhe garantem água, luz e gás.

Resta o suborno a policiais, advogados, juízes, políticos e testemunhas. Isso sim é uma hemorragia. Ninguém sabe ao certo a dinheirama que vai nessas operações. E apenas porque, para contar com tais serviçoes especializados, o crime depende de terceiros. Daí que, pensou o sujeito, o crime deveria se organizar para produzir seus próprios quadros.

Uma reserva de jovens seria poupada do trabalho sujo, como a venda nas bocas-de-fumo, a campana nas encostas ou os confrontos com a polícia. Em vez disso, eles iriam estudar, formar-se em direito, galgar cargos no Judiciário, ingressar nos partidos, disputar eleições. Enfim, infiltrar-se no Sistema.

Absurdo? Pois não olhe agora, mas acho que isso já começou.




* O 'Vale a pena ler de novo' é um espaço para textos republicados e nada republicanos de jornalistas, articulistas e malabaristas dos mais variados veículos de comunicação. Se não leu o original, aproveite a nêga. Se já leu, come de novo (não é sempre que ela tá com fogo na bacurinha).




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