26 de dez. de 2010

2011: Esse aqui é pra você!


PRA VOCÊ, que não cumpriu nenhum dos ítens da listinha de promessas de 2010;
Pra você, que quis esgoelar o asno do Dunga e o jegue do Felipe Mello na Copa;
Pra você, que não aguenta mais ouvir falar de vampiros bonitinhos e perfumados;
Pra você, que não se surpreendeu nem um pouco com a vitória de Dilmão;
Pra você, que esse ano soltou o grito da garganta de É CAMPEÃO!
Pra você, que ficou com o grito preso e soltou mesmo foi o chinelo na parede;
Pra você, que todo dia olha no espelho, reclama do que vê e não faz absolutamente nada pra mudar;
Pra você, que pensou em acordar cedo pra correr e desistiu no meio do alarme do despertador;
Pra você, que correu, suou, emagreceu e vai poder finalmente usar aquela sunguinha marota ou aquele biquininho safado;
Pra você, que se sentiu abandonado numa noite de sábado qualquer na companhia do onipresente Serginho Groisman;
Pra você, que bebeu, caiu e lavantou antes do juiz encerrar a contagem final;
Pra você, que não levantou porra nenhuma e teve loooongas conversas com o Hugo;
Pra você, que finalmente encontrou um verdadeiro sentido pra essa vida bandida;
Pra você, que não encontrou foi nada e continua mais perdido que peido em ventania;
Pra você, que chorou como uma criança quando perdeu aquela pessoa querida;
Pra você, que engoliu o choro e prometeu ser uma pessoa melhor para corrigir as injustiças do mundo;
Pra você, que está guardando seu melhor beijo para aquele(a) que quiçá vai chegar ano que vem;
Pra você, que viu seu filho crescer, aparecer e bater asas sem ao menos dizer até logo;
Pra você, que não aguenta mais as chatisses e implicâncias dos seus velhos ranhetas;
Pra você, que viu Paul McCartney parar o tempo por duas horas e dar a impressão de que esse mundo vale a pena;
Pra você, que descobriu nos festivais o cara cheio de sonhos que dormia aí dentro;
Pra você, que teve seus momentos de Buzz Lightyear, de Kick Ass e de Capitão Nascimento;
Pra você, que se perguntou 'por quê, meu Deus?' toda vez que via o Restart esquartejando a música;
Pra você, que mais uma vez se pegou pensando como seria sua vida sem o Facebook;
Pra você, que sentiu falta daquele cafuné gostoso na cabeça e de dormir de conchinha;
Pra você, que quis que sua conchinha virasse um pedaço de pizza amanhecida;
Pra você, que se encheu de coragem e finalmente se declarou para o amor de sua vida;
Pra você, que encontrou um grande amor capaz de iluminar seu mundo com um simples sorriso;
Pra você também, que deu xilique e fez ceninha de ciúme pra mostrar quem é que manda nessa porra aqui;
Pra você, que tá repensando sua vida desde o amigo secreto da firma;
E pra você, que ao ler isso aqui lembrou de ligar para uma pessoa mais do que especial: você.


Um 2011 não apenas feliz, mas transbordando de tudo que te faz sentir vivo, forte e em plenas condições de vestir a capa e salvar o mundo.

18 de ago. de 2010

Serra, o Comedor

PÔ, SERRA, até a dona Maria???






11 de ago. de 2010

Ice Age Gols!


ESSA SEGUNDONA MEMO, VI NO CQC uns jogadores islandeses comemorando um gol de uma forma completamente inusitada.

Dei uma cavocada no Youtube e encontrei um TOP5 de comemorações de gols deles. O time (Stjarnan, apenas o 6o colocado na Liga Islandesa) pode não ser grande coisa, mas quando a bola entra na rede tudo pode acontecer!


              

                   










26 de jul. de 2010

Reflexão Vapt-Vupt: "Solidão Contente"


ONTEM EU LEVEI UMA BRONCA da minha prima. Como leitora regular desta coluna, ela se queixou, docemente, de que eu às vezes escrevo sobre “solidão feminina” com alguma incompreensão.

Ao ler o que eu escrevo, ela disse, as pessoas podem ter a impressão de que as mulheres sozinhas estão todas desesperadas – e não é assim. Muitas mulheres estão sozinhas e estão bem. Escolhem ficar assim, mesmo tendo alternativas. Saem com um sujeito lá e outro aqui, mas acham que nenhum deles cabe na vida delas. Nessa circunstância, decidem continuar sozinhas.

Minha prima sabe do que está falando. Ela foi casada muito tempo, tem duas filhas adoráveis, ela mesma é uma mulher muito bonita, batalhadora, independente – e mora sozinha.

Ontem, enquanto a gente tomava uma taça de vinho e comia uma tortilha ruim no centro de São Paulo , ela me lembrou de uma coisa importante sobre as mulheres: o prazer que elas têm de estar com elas mesmas.

“Eu gosto de cuidar do cabelo, passar meus cremes, sentar no sofá com a cachorra nos pés e curtir a minha casa”, disse a prima. “Não preciso de mais ninguém para me sentir feliz nessas horas”.

Faz alguns anos, eu estava perdidamente apaixonado por uma moça e, para meu desespero, ela dizia e fazia coisas semelhantes ao que conta a minha prima. Gostava de deitar na banheira, de acender velas, de ficar ouvindo música ou ler. Sozinha. E eu sentia ciúme daquela felicidade sem mim, achava que era um sintoma de falta de amor.

Hoje, olhando para trás, acho que não tinha falta de amor ali. Eu que era desesperado, inseguro, carente. Tivesse deixado a mulher em paz, com os silêncios e os sais de banho dela, e talvez tudo tivesse andado melhor do que andou.

Ontem, ao conversar com a minha prima, me voltou muito claro uma percepção que sempre me pareceu assombrosamente evidente: a riqueza da vida interior das mulheres comparada à vida interior dos homens, que é muito mais pobre.

A capacidade de estar só e de se distrair consigo mesma revela alguma densidade interior, mostra que as mulheres (mais que os homens) cultivam uma reserva de calma e uma capacidade de diálogo interno que muitos homens simplesmente desconhecem.

A maior parte dos homens parece permanentemente voltada para fora. Despeja seus conflitos interiores no mundo, alterando o que está em volta. Transforma o mundo para se distrair, para não ter de olhar para dentro, onde dói.

Talvez por essa razão a cultura masculina seja gregária, mundana, ruidosa. Realizadora, também, claro. Quantas vuvuzelas é preciso soprar para abafar o silêncio interior? Quantas catedrais para preencher o meu vazio? Quantas guerras e quantas mortes para saciar o ódio incompreensível que me consome?

A cultura feminina não é assim. Ou não era, porque o mundo, desse ponto de vista, está se tornando masculinizado. Todo mundo está fazendo barulho. Todo mundo está sublimando as dores íntimas em fanfarra externa. Homens e mulheres estão voltados para fora, tentando fervorosamente praticar a negligência pela vida interior – com apoio da publicidade.

Se todo mundo ficar em casa com os seus sentimentos, quem vai comprar todas as bugigangas, as beberagens e os serviços que o pessoal está vendendo por aí, 24 horas por dia, sete dias por semana? Tem de ser superficial e feliz. Gastando – senão a economia não anda.

Para encerrar, eu não acho que as diferenças entre homens e mulheres sejam inatas. Nós não nascemos assim. Não acredito que esteja em nossos genes. Somos ensinados a ser o que somos.

Homens saem para o mundo e o transformam, enquanto as mulheres mastigam seus sentimentos, bons e maus, e os passam adiante, na rotina da casa. Tem sido assim por gerações e só agora começa a mudar. O que virá da transformação é difícil dizer.

Mas, enquanto isso não muda, talvez seja importante não subestimar a cultura feminina. Não imaginar, por exemplo, que atrás de toda solidão há desespero. Ou que atrás de todo silêncio há tristeza ou melancolia. Pode haver escolha.

Como diz a minha prima, ficar em casa sem companhia pode ser um bom programa – desde que as pessoas gostem de si mesmas e sejam capazes de suportar os seus próprios pensamentos. Nem sempre é fácil.


(texto de Ivan Martins, editor da Época)






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