10 de nov. de 2008
6 de nov. de 2008
Ah, o Futebol!
AH, O FUTEBOL! Não é à toa que ele desperta, com a mesma intensidade, paixão e ódio, alegrias e discórdias, gritos e lágrimas.
Quando começava a pensar que já tinha visto de tudo no esporte número 1 do mundo, eis que a quarta-feira futebolística me presenteia com duas cenas pitorescas, folclóricas, escalafobéticas.
A primeira aconteceu no Engenhão, palco do confronto entre Botafogo x Estudiantes, partida de volta das quartas-de-final da ilustre Copa Sul-Americana. O Fogão ia mal das pernas e, visivelmente nervoso, não tinha forças para buscar o placar que o colocaria na próxima fase. No finzinho da etapa derradeira, falta assinalada pelo juiz no meio-campo, e cartão amarelo para André Luís.
Inconformado com a marcação, o zagueirão voou em cima do árbitro, arrancou o cartão de sua mão e devolveu o gesto, antes de esmagar o coitado entre os dedos enquanto lançava um fuzilante olhar Mike Tyson para o pobre juiz. Incrédulo, borrado e boquiaberto com a atitude do béque, o juiz deu 10 passos pra trás e levantou o vermelho. Por muito pouco não levou um piau.
Enquanto isso, no estádio Diego Armando Maradona, o Palmeiras, de time reserva, levava um sapeco do inexpressivo Argentinos Juniors. Tudo dentro do script - não fosse pelo fato do garboso treinador do Verdão, Vanderlei Luxemburgo, estar assistindo e comentando a partida de sua própria equipe da tribuna da Globo, entre elogios à equipe da emissora, críticas aos seus jogadores e bebericadas de café.
E o salário, ó...
4 de nov. de 2008
Por que os EUA vão eleger Barack Obama
NESSA TERÇA-FEIRA oportunamente ensolarada, nossos queridos Estados Unidos da América vão às urnas para escolher o 44º presidente de sua história. Como política é um dos assuntos prediletos deste democrático blog (veja você), chamei o mala do Tony e o fofo do Lee para darem seu pitaco no nada imparcial rol de motivos que colocarão o candidato democrata no mais nobre e polêmico cômodo da Casa Branca.
Ora, os EUA elegerão Obama...
1. Porque Obama é pop;
2. Porque Obama é cool;
3. Porque Obama é jovial, simpático, charmoso e muito mais carismático que seu oponente;
4. Porque Obama é negro, e os americanos querem (ao menos da boca pra fora) compensar os séculos de injustiças e preconceito com a raça que tanto os representou América afora;
5. Porque a crise tá braba, e os democratas, mais práticos e arejados, costumam administrar melhor situações como essa;
6. Porque Obama lembra Owens, Ali e Luther King;
7. Porque Obama lembra Kennedy, Clinton e Carter;
8. Porque, apesar de terem sido a favor do War vergonhoso do soldado Bush, os americanos querem limpar a imagem maligna proporcionada pelo presidente Cabum!;
9. Porque Obama é mudança - seja lá o que isso signifique a essa altura do campeonato;
10. Porque os americanos querem apagar a péssima imagem das últimas eleições, quando Little George venceu Kerry por um caminhão de votos alterados debaixo dos olhos de quem quisesse ver;
11. Porque McCain tem cara de bobo;
12. Porque McCain é velho, tem cabelo de bandido e os dentes amarelados;
13. Porque McCain não soube usar o (ainda) fortíssimo fator preconceito a seu favor;
14. Porque Sarah Palin é uma pateta;
15. Porque Obama, bom democrata que é, brecará a entrada de produtos de fora, favorecendo os trabalhadores americanos e a produção made in home;
16. Porque até Madonna saiu do muro e declarou seu voto em Obama (em entrevista recente, a performer comparou Obama a Gandhi e McCain a Hitler);

17. Porque a gigantesca comunidade de negros e hispânicos já fez sua opção há tempos;
18. Porque a imprensa - o 1º poder travestido de 3º - já elegeu seu candidato;
19. Porque o resto do mundo 'espontanemente' escolheu Obama;
20. Porque somente a eleição de Obama poderá recolocar o planeta aos pés de seu 'legítimo' dono.


3 de nov. de 2008
Por obséquio...
LONGE DE MIM querer fazer Teoria da Conspiração, mas cumprimentar o campeão antes mesmo deste sair do carro após praticamente parar para ele passar é no mínimo suspeito, meu caro Glock.
Algum palpite, teóricos de plantão?
Eles estão entre nós
SEMPRE QUE PASSO em frente à banca do Tobias, me deparo com o cabide de livros que fica ali de pé, tomando conta da porta. Lá estão bíblias da auto-ajuda, quadrinhos sortidos que vão de Mafalda a Hagar e aqueles clássicos ageográficos (?) e atemporais, que carinhosamente apelidei de Gasparzinhos da literatura.
Não são poucos os nomes que compõem a fauna fantasmagórica. Rebuscados e difíceis de pronunciar (são excelentes para papagaios e cachorros), eles vêm de diversos países, épocas e culturas. Em comum, trazem o tamanho pocket, as letras dos títulos carregadas e a foto dos autores em pretibranco, fazendo aquela pose blasé que remete a eternos como o velho Shakes, Camões e outros mestres do bolor.
Confesso que três deles, em especial, sempre me chamaram a atenção. Schopenhauer, Tolstói e Bukowski parecem diferentes dos outros fantasmas. Seriam fantasmas camaradas? Não sei nadica de sua biografia: de onde vieram, o que fizeram-pensaram-pregaram, e para onde foram. Fato é que o trio, presente em todas as (cinco) bancas da cidade, me cativou.
Mas diabo, se simpatizo com os danados, por que até agora sequer peguei um deles no colo para brincar?
Não é pelo tamanho irrisório, nem pelas letras fúnebres dos títulos. Também nada tem a ver com a falta de fotogenia dos autores-fantasma, bobagem. Acontece que tudo que sai do popular e palpável para se tornar um clássico condecorado me afasta, como que por mágica.
Livros, filmes, canções: se enxergo seu significado no dia-a-dia, num instante os leio, assisto, escuto com atenção e simpatia. Mas, quando ganham o rótulo de obras-primas e prêmios e floreios e cadeiras, uma cortina esfumaçada paira sobre eles, criando um campo magnético invisível entre minha mão e o cabide. Se chegar perto dá choque.
Schopenhauer, Tolstói, Bukowski, Dostoiévski, Maiakóvski, Sartre, Kafka. Bethoven, Chopin, Zappa, Ray, Piaf, Vila-Lobos. Cidadão Kane, Casablanca, Carmen Miranda, Mazzaropi, Godard, Mágico de Oz. Os Gasparzinhos estão por todas as partes, das cartas apaixonadas e suicidas às prateleiras de ponta de pé das livrarias e locadoras.
Acredito até que, lá no fundo, eles só querem interagir e mostrar que pode chegar perto e fazer carinho, eles não mordem. Mas não é nada fácil desatar o nó dos preconceitos, esteriótipos e paradigmas. Mesmo quando a chance está logo ali, na banca da esquina.



