4 de set. de 2008

TOP 8 ou 80 (ou 'Entre tapas e beijos')


PAUL RABBIT É UM SUCESSO. Autor mais traduzido do planeta desde o velho Shakes, vende livros como os litros da coca-cola que se auto-proclamou. Paullus Coelhus, refinado, sábio e grande interlocutor dos mistérios da alma, está sempre entre os Top of Mind do velho continente. Pablo Conejo, então, nem se fala: desde que fez o messiânico trajeto por Santiago de Compostela, filhos, netos e bisnetos do latim o reverenciam como um semi-deus.

Agora experimente exaltar Paulo Coelho em reuniões familiares, conversas de bar ou almoços com os colegas de trabalho. Boa parte deles - senão todos - dirão que é um enganador, de textos rasos e sem estilo; um autorzinho kitsch de auto-ajuda. E o pior: sem terem lido sequer uma linha do Diário de um Mago, Veronika Decide Morrer ou O Alquimista.

Pensando nessa disparidade de paladares e embuído do meu espírito psico-pedagógico, resolvi fazer a lista dos TOP 8 ou 80 - artistas, quitandeiros e personalidades mitológicas que despertam, com a mesma intensidade, amor e ódio de sua exigente freguesia.

Chega mais!


12º LUGAR: JÔ SOARES

Sô Joares é ator, escritor, apresentador, diretor, crítico e humorista. Citado como modelo de homem inteligente por 10 entre 10 vagabas que mostram a chuleta mulheres que fazem ensaios artísticos, o rechonchudo é literalmente um poço de cultura. No entanto, tornou-se comum seu desprezo e pouco caso por convidados de seu programa que não são 'da patota'. Nesse momento, Jô deixa cair a máscara bonachona e parte para seu espetáculo solo de arrogância e prepotência, detectados e reprovados por boa parte da galera da insônia.



11º LUGAR: MILTON NEVES

Um dos mais conhecidos e cabeçudos competentes jornalistas esportivos de sua geração, Milton Neves tinha tudo para virar a grande referência positiva de seu meio. Bem informado, espirituoso e com voz de barítono caipira, soube cavar seu espaço nos mais variados meios de comunicação, tornando-se um dos homens mais bem remunerados e respeitados do show business. Até que as duchas Lorenzetti, os cadeados Pado, os supermercados Sonda e os fios e cabos Sil entraram em sua cabine e o transformaram no intragável Merchan das Neves, o anti-herói que relegou o futebol para encher o cooler de Brahma.


10º LUGAR: CAZUZA


Exagerado. Em todos os sentidos. Poeta e compositor de rara inspiração, Cazuza foi talvez o maior expoente que tivemos do 'faça o que eu digo, não faça o que eu faço'. Os que o compreenderam, imitam seus gestos, cantam suas músicas e propagam seus ideais. Os que o ignoraram, sempre vão considerá-lo um rebelde sem causa, hedonista e inconseqüente. O tempo não pára.


9º LUGAR: CLÁUDIA LEITTE

Só o fato de falar que ela é a ex-vocalista de uma banda de axé chamada Babado Novo já seria o suficiente para quem está lendo descer a barrinha. Olha, Claudinha Leitte pode lá não ser um primor de cantora, mas é hoje a segunda maior show girl do país, com agenda de shows lotada até o final da década, dezenas de capas de revista publicadas, meses na lista top parade das rádios populares e um fã-clube de fazer inveja a muito artista de verdade. Como já diria Jo-jo, gosto é que nem fone de ouvido - cada um tem o seu.



8º LUGAR: ROMÁRIO

Quem vê o Peixe na foto assim, afável e todo prosa com seu oclinhos da virtude, mal pode imaginar a fera indomável que mora dentro de seus parcos 1,68m. Polêmico e com pavio mais curto que perna de mentira esfarrapada, Romário comprou briga com todos que se atreveram a criticá-lo, tirá-lo do trono, ou pior: se recusaram a tocar a bola pra ele. Se futebol é paixão, Romário é o cupido que flechou o coração de milhões de brasileiros. Mas experimenta olhar torto pra você ver onde a flecha vai parar... Diz aí, Animal!



7º LUGAR: GALVÃO BUENO

Galvão 8 ou 80? E lá existe UM cidadão que goste desse pé nos bago??? Aí é que tá - existe, e não são poucos. Se uma pá de gente não achasse que Galvão é emoção e o colocasse no nível das celebridades do olimpo do plim-plim, ele não estaria, há ao menos 10 anos, comendo o medalhão da programação esportiva global. Graças a essas pessoas, o locutor-comentarista-filósofo tem carta branca para dar seus palpites precisos e enriquecedores.


6º LUGAR: DIOGO MAINARDI

Irônico, niilista e sarcástico ao extremo, Diogo Polêmica Mainardi é o Nietzsche dos críticos. Inimigo número 1 de Luís Inácio e do PT, amealhou nos últimos anos fiéis seguidores e inimizades ferrenhas com seus textos veiculados na revista mais 8 ou 80 do país. Um cara que publicou um livro chamando o presidente de ANTA na cara dura - e se saiu incólume - merece com méritos esta honrosa 6ª colocação.


5º LUGAR: RENATO RUSSO

Gênio ou piegas? Inspiradaço ou deprê? Clássico ou uma xerox barata de Morrissey? Renato Russo foi o responsável direto por fazer do Legião Urbana a banda mais desprezada e amada da geração que virou os 80's pros 90's com uma idéia (e um topete lambuzado) na cabeça. Falava de tudo com propriedade e aquela distância artística que só os iluminados atingem, mirando sempre a mente e o coração da juventude que delirava com o sexo verbal - sem preservativo - promovido pela banda.


4º LUGAR: PAULO COELHO
(arribamente legendado)


3º LUGAR: XUXA

Namorada de Edson, Ayrton, Luciano...
E há quem diga que o negócio dela é mesmo o atabaque da rainha da Bahia.
Amante dos baixinhos a ponto de protagonizar um filme amoroso com um deles...
E há quem diga que nas gravações do Xuxa Park ela maltratava e beliscava os pimpolhos.
Reinado absoluto por uma décademeia na programação da Globo...
E há quem diga que Angélica, Mara-Maravilha, Mari e até Paty Beijo eram melhores que ela.
Encostada na emissora há pelo menos 2 anos, depois de apanhar na audiência até para o robozinho do Homem do Baú...
E um dos maiores canais argentinos - onde sua música é cantada até nos estádios de futebol - a contrata para apresentar um programa de auditório em horário nobre.

Ora, se Maria da Graça Meneghel não é 8 ou 80, who is???


2º LUGAR: PAULO MALUF

Espia só a cara de 171 do doutor Paulo. Também, pudera: aos 77 anos, Maluf foi condenado por superfaturamento em todas as áreas que colocou o dedo (desde os tempos de faculdade), protagonizou momentos de tilt geral - como o apoio à ditadura e o famigerado 'estupra mais não mata' - e, se viajar à Europa, tem seu mandato de prisão o aguardando na alfândega.

Ainda assim, o pai do Fura-Fila, do Leve-Leite e da Farmácia do Povo segue com o apoio de 10% do eleitorado paulistano. E consegue a proeza de ser eleito deputado federal com modestos 740 mil votos, mesmo pedindo para nunca mais votarem nele se o Pitta não for um bom prefeito.

AND THE OSCAR GOES TO.........

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TCHAN- TCHAAAAN!!!!!



1º LUGAR: LUÍS INÁCIO DA SILVA

Nunca antes na história desse país tivemos um presidente que fez tanto pelo social, alimentando milhões de bocas famintas e dando oportunidades aos até então alijados da sociedade. Habilidoso com as palavras - apesar do restrito vocabulário -, Lula discursa e deixa o governo no piloto automático, colhendo os frutos do bom momento econômico que vivemos.

O preço para bancar suas façanhas até que saiu baratinho: aparar a barba e a cabeleira, uma boa ducha de guarda-roupa, amassar e jogar fora a cartilha româtica e revolucionária do Partido dos Trabalhadores e responder com fones de ouvido e tapinhas nas costas todos os desaforos que ouve de certos escritores e presidentes fanfarrões.

Tapas e beijos à vista? Certamente.



3 de set. de 2008

Ceeeeeeeelebrate good times, k'mon!


JÁ REPAROU COMO os momentos especiais vêm sempre com uma trilha sonora particular na garupa?

Bem, não são necessariamente músicas boas, bonitas, clássicas, melódicas... Mas, de uma forma ou de outra, acabam por nos colocar dentro daquele túnel do tempo à lá Vídeo Show, dando de bandeja um best of daquele casamento, encontro, reveillon, carnaval, arraiar, festa de formatura ou seja lá o que você tenha vivido, comprado e bifurcado na estrada que pavimentou.

Hoje mesmo me peguei meio jururu na minha aula de cabelereira junior (preciso me entreter antes da terceira etapa da seleção de cheerleaders da escola começar, sacomé)... Foi quando a música aí de baixo começou a tocar no salão da dona Têca.

Como que por mágica, o perfume do chester invadiu as minhas narinas, a rolha da cidrona voou alto e vovô e vovó começaram a dançar na sala, enquanto BJ, eu e a primaiada abríamos os presentes no pé da árvore de natal.





Caso a janelinha do Youtube não abra aí...





E pra você, meu bom piloto, qual música faz o cinza sumir e a vida ser só paisagem?




Prato do dia







Chef: Agência Clemenger BBDO de Melbourne, Austrália.





1 de set. de 2008

Adeus, mundo cruel!


O ENCONTRO SERIA só no domingo, mas desde sábado Fausto Silva já anunciava a principal atração do seu velho e ensebado Domingão. Os gloriosos Titãs e Paralamas juntos, dividindo o mesmo palco, num pout-pourri empoeirado para fãs órfãos de um rock’n’roll que, há ao menos 10 anos, não gera sequer um ‘uh-ruuuu’ dos mosh lovers.

E lá vem a pergunta de sempre: ‘O que aconteceu com as bandas de rock brasileiras?’ Ou melhor: ‘O que justifica o abismo em que caiu o rock nacional?’

Se você quiser uma resposta decente, embasada por argumentos históricos, técnicos e sócio-culturais, sugiro a leitura de livros temáticos, autores especialistas e biografias de lendas como Tim Maia, que trazem nas entrelinhas pontos, reticências e até exclamações para suas interrogações musicais.

Como prefiro o caiaque ao submarino, dou minha versão de bate-pronto. O rock nacional morreu porque, cada vez mais, as pessoas estão com pressa. Não há mais tempo para introduções, virtuoses tecladistas e reviravoltas sonoras dentro das músicas. Não há mais tempo para o diálogo entre a banda e seu público, homenagens e agradecimentos feitos na forma de solos de guitarra e viradas descompassadas de bateria. Não se conta mais uma história com começo, meio e fim.

Esquece o xaveco, o flerte, a conquista. O negócio é ir direto ao beijo na boca, ao som do refrão que garante a eternidade do momento com poucas razões, muitas emoções e sua saída no fim do túnel bloqueada pelo cartel formado por rádios, gravadoras e outros intermediários dos steaks oferecidos pela George Foreman’s grill.

João de Santo Cristo morreu. A ideologia morreu. A Rádio Rock morreu - pouco depois do destino levar Dinho, Bento, Júlio, Sérgio e Samuel. Resta agora recorrer aos ídolos de papai e mamãe para lembrar que no Brasil já se viu rock de corpo e alma, bilhetinhos amorosos e veneno liberado - e recomendado - para todas as idades.





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